Capital

Com máquinas nas ruas, Vila Nogueira e Aimoré esperam fim do poeirão e lamaçal

Obras de asfalto e drenagem começaram nesta quinta-feira com investimento de R$ 11,8 milhões na região

Por Jhefferson Gamarra e Ketlen Gomes | 06/08/2026 16:50
Com máquinas nas ruas, Vila Nogueira e Aimoré esperam fim do poeirão e lamaçal
Maquinário da empresa contratada iniciando os trabalhos na região (Foto: Juliano Almeida)

Depois de décadas de espera, moradores das vilas Nogueira e Aimoré acompanharam nesta quinta-feira (6) o início das obras de pavimentação e drenagem que prometem transformar a rotina de quem convive há anos com a poeira na estiagem e a lama nos períodos de chuva. Com o maquinário já em operação, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou que os dias de “poeirão” estão chegando ao fim e garantiu que os recursos para a conclusão da obra estão assegurados.

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A intervenção faz parte do programa Vira CG Infraestrutura e conta com investimento superior a R$ 11,8 milhões. A execução ficará por conta da TST Construções Ltda., com prazo previsto de 270 dias. O projeto contempla drenagem e microdrenagem de águas pluviais, pavimentação asfáltica, recapeamento em trechos específicos e implantação de sinalização viária.

Durante a autorização para o início dos serviços, Adriane destacou que a região da Vila Nogueira era uma das áreas que ainda aguardavam melhorias enquanto bairros próximos já haviam recebido pavimentação.

Prefeita Adriane Lopes durante discurso de lançamento das obras de infraestrutura (Foto: Ketlen Gomes)

“Nós estamos caminhando por toda a Campo Grande, nas sete regiões, levando desenvolvimento, levando melhorias e qualidade de vida para muitos campo-grandenses. E hoje chegou a vez da Vila Nogueira. É um bairro importante, que estava rodeado de vias pavimentadas, mas que os moradores continuamente estavam solicitando as melhorias aqui nessa região”, afirmou.

A prefeita comentou sobre a situação encontrada no local durante o anúncio da obra. Segundo ela, a poeira levantada pelo vento durante o evento representa um problema que deve ficar para trás após a conclusão da pavimentação.

“Estava sentado aqui, veio o vento, a poeira levantou. Mas eu acho e acredito que essa poeira vai se levantar pelas últimas vezes aqui nas ruas da Vila Nogueira. Porque a obra chegou, a mudança chegou”, disse.

Adriane também afirmou que o município possui recursos garantidos para dar continuidade aos trabalhos. “Tem recurso? Tem. O dinheiro está na conta. Uma obra vai começar e parar porque o dinheiro está na conta e nós vamos seguir com muito trabalho, avançando a cada dia”, declarou.

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão, informou que o pacote de obras previsto para 2026 soma R$ 240 milhões em investimentos em pavimentação e drenagem em diferentes regiões da Capital.

Secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão, repassando informações a população presente no lançamento (Foto: Ketlen Gomes)

Segundo ele, somente a região do Anhanduizinho, onde estão localizadas as vilas Nogueira e Aimoré, receberá aproximadamente R$ 90 milhões em investimentos.

“É trazer um benefício, realizando sonhos de comunidades que esperam há décadas, 10 anos, 20 anos, 30 anos, 40 anos aguardando o asfalto e hoje chega o asfalto e a drenagem”, afirmou.

O secretário destacou que o início das obras representa uma mudança na rotina de moradores que ainda convivem com ruas sem pavimentação.

“É o primeiro passo para que a população de Campo Grande, em vários bairros da nossa cidade, deixe de pisar na terra, deixe de pisar no barro e passe a partir de agora a ter na frente de suas residências o benefício do asfalto”, disse.

Prefeita Adriane Lopes, vice Camila Nascimento, funcionários da empreiteira e moradores posando para foto no lançamento das obras (Foto: Ketlen Gomes)

Moradores esperam há 25 anos pelo asfalto - Entre os moradores que acompanharam o início da obra estava a diarista Nelita da Rocha Novaes, de 62 anos, que vive há 25 anos na Vila Nogueira. Para ela, a chegada do asfalto representa a realização de uma espera antiga.

“Quando cheguei aqui, o pessoal falou para mim que a Vila Nogueira já era para estar asfaltada, que tinha vindo verba para isso. Mas passaram-se 25 anos e continua do mesmo jeito”, contou.

Ela relata que a falta de pavimentação interfere diretamente na rotina dos moradores. “Quando chove, é lama. Quando seca, é poeirão. É impossível. Nós estamos vivendo uma situação muito difícil aqui na Vila Nogueira”, afirmou.

Apesar da expectativa positiva com o início dos trabalhos, Nelita questiona por que algumas ruas do bairro não foram incluídas nesta etapa da pavimentação. Segundo ela, a Rua Bicudo, onde mora, ficou de fora do cronograma.

“Nós estamos todos ansiosos, porque estão dizendo que vão asfaltar quatro ruas da Vila Nogueira e que o restante já teria asfalto. Mas a nossa rua, a Rua Bicudo, que é uma rua antiga e todo mundo conhece, não vai receber?”, questionou.

A moradora afirma que foi até o local para buscar esclarecimentos sobre a definição das vias contempladas. “É isso que a gente quer entender. O que está acontecendo? Por que o asfalto vai chegar até lá em cima e não até a nossa rua?”, disse.

A dona de casa Evyllem Luana dos Santos Souza, de 26 anos, também acompanhou a chegada das máquinas e comemorou o início das obras, mas relatou insatisfação com a quantidade de ruas contempladas.

“A gente está feliz porque vai começar a asfaltar as ruas da nossa vila. A gente mora aqui há mais de 30 anos, há mais de 15 anos não passa cascalho”, afirmou.

Segundo ela, algumas vias próximas, como a Rua Albina, além das ruas Batista e Bicudo, não estão previstas nesta etapa. A moradora afirma que a situação ainda causa dificuldades principalmente nos períodos de chuva.

“O Uber quando chove na nossa rua não entra. A gente vai sair com a criança para levar para a escola e tem que sair de sacolinha. O marido também usa transporte público, está difícil”, relatou.

Evyllem também afirmou que os moradores buscam entender os critérios usados para definir as ruas que receberão o benefício nesta fase. “A Vila Nogueira é enorme. Por isso a gente está indignado, quer saber por que vai asfaltar seis ruas sendo que tem outras precisando também”, disse.

Mapa de Campo Grande com informações sobre ações de infraestrutura previstas (Foto: Juliano Almeida)

Ruas incluídas na primeira etapa - As obras contemplam as ruas Aiurvocas, Araçatuba, Doze de Outubro, Fênix, Sérgio Alexandre Lemos e Vigário da Silva.

A pavimentação integra o planejamento do Vira CG Infraestrutura, que prevê a execução de aproximadamente 80 quilômetros de pavimentação e drenagem ao longo de 2026, incluindo também implantação de ciclovias e ações de reordenamento do trânsito.

Até o momento, o programa já teve obras lançadas nas regiões dos bairros Jardim das Nações, Jardim Los Angeles e Oliveira I e II, com mais de R$ 33,7 milhões destinados à pavimentação e drenagem de 40 vias.

Ao todo, a Prefeitura prevê investimentos superiores a R$ 280 milhões em infraestrutura viária na Capital. Dentro desse planejamento, a região do Anhanduizinho concentra uma das maiores parcelas, com R$ 88,5 milhões previstos para pavimentar mais de 70 vias.

 

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