Com 60 chamados durante temporal, Defesa Civil pede que população ligue 199
Coordenador afirma que levantamento dos estragos pode levar mais de 48h e reforça alerta sobre novas chuvas
RESUMO
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A Defesa Civil de Campo Grande recebeu 60 acionamentos após o temporal de quinta-feira (15), que causou alagamentos, danos ao asfalto e veículos presos em enxurradas. Do total, 26 ficaram sob responsabilidade do órgão. O coordenador Enéas José de Carvalho Netto afirmou que muitos moradores não ligam para o 199, o que dificulta o levantamento dos prejuízos. Segundo o Cemaden, a região do Córrego Anhanduizinho acumulou 117,8 milímetros em 96 horas. Nova frente fria preocupa as equipes.
A Defesa Civil de Campo Grande recebeu 60 acionamentos relacionados ao temporal que atingiu a cidade na quinta-feira (15), provocando alagamentos, danos no asfalto, veículos presos em enxurradas e transtornos em diferentes bairros. Desse total, 26 ocorrências ficaram sob responsabilidade direta do órgão, enquanto as demais foram encaminhadas a outras secretarias e setores da prefeitura. Apesar dos registros, o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Enéas José de Carvalho Netto, afirma que a quantidade de chamados não representa necessariamente todos os problemas provocados pela chuva.
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Segundo ele, uma das principais dificuldades para dimensionar os estragos é a falta de comunicação da própria população com a Defesa Civil. Muitos moradores registram os alagamentos em vídeos, divulgam imagens nas redes sociais ou procuram outros canais, mas deixam de acionar o telefone 199, que é o número oficial para comunicar situações de risco e solicitar atendimento.
Enéas explica que a Defesa Civil não consegue concluir um levantamento completo dos danos em menos de 48 horas, especialmente quando há grande quantidade de ocorrências espalhadas pela cidade. A demora também está relacionada à necessidade de identificar os problemas, avaliar os riscos e definir quais órgãos devem ser mobilizados.
O coordenador ressalta que a Defesa Civil atua na gestão da crise, o que não significa executar diretamente todos os serviços necessários. "A partir de cada acionamento, a equipe avalia a situação e verifica se é preciso encaminhar a demanda à Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), aos serviços de saúde, à assistência social ou à Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito)".
Por isso, Enéas reforça que o telefone 199 deve ser utilizado pelos moradores para informar ocorrências relacionadas às chuvas. "Os chamados ajudam a identificar os locais atingidos, organizar o atendimento e dimensionar os prejuízos".
O coordenador também destacou a intensidade do temporal, que superou as condições normalmente esperadas para outubro. Segundo ele, a chuva não estava prevista com aquela intensidade.
Um dos pontos que ainda precisam ser avaliados é a capacidade de estruturas de drenagem e contenção existentes na cidade. Como exemplo, ele citou a bacia de contenção da Rua Hiroshima, na região do Córrego Prosa.
Segundo o coordenador, ainda não é possível afirmar se a estrutura apresenta capacidade insuficiente ou se o volume excepcional de água ultrapassou os limites para os quais foi projetada. A diferença é importante porque a solução depende da identificação da causa do problema.
A preocupação também envolve a possibilidade de novos temporais. Enéas afirmou que a recuperação da cidade depende de uma trégua nas precipitações, já que novas chuvas podem comprometer os trabalhos e provocar outros alagamentos.
Ele alertou para a aproximação de uma frente fria, que pode trazer mais chuva, além da previsão de novas precipitações na próxima semana. O coordenador também comentou que parte da população tem demonstrado descrença em relação aos alertas sobre um possível Super El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial e capaz de alterar os padrões de chuva em diferentes regiões do planeta.
120 milímetros de chuva
Os dados do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) mostram que a intensidade das chuvas variou entre as regiões da Capital. Conforme consulta aos equipamentos de monitoramento, com registros até as 13h10 desta sexta-feira (16), o maior acumulado ocorreu na região do Córrego Anhanduizinho, com 117,8 milímetros em 96 horas. Desse total, 77 milímetros foram registrados nas últimas 24 horas.
No Jardim Panamá, o acumulado chegou a 108,8 milímetros em 96 horas, sendo 76,2 milímetros nas últimas 24 horas. Já na região da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Aparecida Gonçalves Saraiva, no Coronel Antonino, foram registrados 93,4 milímetros em 96 horas, com 63,6 milímetros no período de 24 horas.
Os números mostram que os maiores volumes ficaram concentrados em determinadas regiões da cidade, o que ajuda a explicar a diferença na gravidade dos alagamentos. Também é importante considerar que os registros representam pontos específicos de medição e não devem ser somados para calcular a chuva total na cidade.
Levantamento divulgado pela prefeitura aponta que somente na quinta-feira foram registrados 82 milímetros de chuva na Capital, volume próximo ao observado durante todo o mês de outubro de 2025. Nos primeiros 15 dias deste mês, o acumulado já era 135,91% superior ao registrado em outubro inteiro do ano passado.

Os efeitos do temporal foram registrados em diferentes regiões de Campo Grande. Na Avenida Rachid Neder, no Bairro São Francisco, a enxurrada tomou conta da pista em aproximadamente 10 a 15 minutos. Um carro ficou parcialmente submerso e moradores tiveram dificuldades para sair de casa ou retornar aos imóveis.
Na Avenida Ernesto Geisel, no sentido Aero Rancho, a água também cobriu a pista. Uma motorista relatou que a enxurrada chegou perto da altura do vidro do veículo enquanto tentava voltar para casa.
Na região do Parque das Nações Indígenas, uma caminhonete e um furgão ficaram presos no alagamento no cruzamento da Avenida Arquiteto Rubens Gil de Camilo com a Rua Professor Luís Alexandre de Oliveira. Segundo testemunhas, o nível da água subiu rapidamente, em cerca de cinco a dez minutos, surpreendendo quem passava pelo local.
A região sul também enfrentou transtornos. Nos bairros Jardim Los Angeles, Parque Lageado, Jardim Centro Oeste, Parque das Meninas e Centenário, ruas ficaram tomadas pela água. Na Avenida Guaicurus, motoristas precisaram parar e esperar a enxurrada baixar. Uma ponte de acesso entre o Jardim Morenão e o Roselândia ficou enoberta, enquanto uma residência no Parque das Meninas foi invadida pela água.
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