Capital

“Coisa de Deus”: vítima sobrevive a briga por R$ 700 e revive atentado em júri

Em 5 de julho de 2023, o acusado atirou contra o ex-cunhado após discussão, mas vítima escapou sem ferimentos

Por Bruna Marques e Geniffer Valeriano | 05/05/2026 11:17

Sentado no banco do júri da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, na manhã desta terça-feira (5), Sérgio Vilhargan Ângelo reviveu o dia em que, segundo ele, escapou da morte por pouco. A cena descrita em plenário contrasta com o resultado, mesmo diante de diversos disparos, nenhum tiro o atingiu.

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“É coisa de Deus mesmo, até hoje não entendo como todas aquelas balas não foram parar no meu corpo”, afirmou a vítima, em um dos momentos mais marcantes do depoimento.

O caso envolve o réu Adriano Prestes Martins, acusado de tentar matar Sérgio na tarde de 5 de julho de 2023, em frente ao comércio “Paizão Transportes”, na Avenida Fábio Zahran, na Capital. De acordo com a denúncia, o acusado teria chegado ao local dizendo que a vítima “tinha que morrer” e, em seguida, efetuado disparos com uma pistola calibre .380.

Durante o julgamento, foi destacado que cerca de dez tiros teriam sido feitos durante a ação. Ainda assim, Sérgio não foi atingido. Imagens de câmeras de segurança foram exibidas aos jurados e mostram o momento em que o réu se aproxima, saca a arma e inicia a confusão, que evolui para luta corporal. A vítima consegue se desvencilhar e fugir.

“Coisa de Deus”: vítima sobrevive a briga por R$ 700 e revive atentado em júri
Réu Adriano Prestes Martins, acompanha julgamento (Foto: Geniffer Valeriano)

Ao ser questionado pelo juiz sobre a intenção do réu, Sérgio foi direto. “O vídeo mostra claramente a intenção dele. Não sou eu falando”, disse.

A relação entre os dois também veio à tona. Eles se conheciam desde jovens e eram ligados por laços familiares. O réu é ex-cunhado da vítima. Segundo Sérgio, no momento do ataque, Adriano teria dito: “você tem que morrer”.

A motivação do crime, conforme a denúncia, estaria ligada a um problema envolvendo a documentação do carro da filha do réu. Sérgio teria indicado um despachante à sobrinha, o que gerou desconfiança após cobranças repetidas pelo serviço.

Apesar da gravidade do episódio, a vítima afirmou não guardar rancor. “De alguma forma Deus restituiu a minha vida, então não tenho raiva dele”, declarou.

A defesa trouxe ao júri questionamentos sobre o passado de Sérgio, citando um processo por estelionato, que ele confirmou, afirmando que ocorreu por atraso na entrega de veículos.

Vítima Sérgio Vilhargan Ângelo, presta depoimento durante julgamento (Foto: Geniffer Valeriano)

Outro ponto abordado foi o depoimento de uma psicóloga que atendeu a sobrinha do réu na época. A jovem havia sido arrolada como testemunha, mas não compareceu ao júri, sendo representada pela profissional. Segundo a psicóloga, a paciente apresentava estado de pânico e chegou a relatar situações de assédio envolvendo o tio, embora não tenha detalhado o dia do crime.

Já Adriano admitiu que estava armado, mas negou a intenção de matar. Disse que os disparos foram feitos “para advertir” e que atirou “para cima e para o lado”. Alegou ainda que a arma era registrada, embora tenha sido questionado sobre irregularidades no porte. O réu também afirmou que descartou a arma após o ocorrido.

A perícia, por outro lado, apontou evidências de disparos no local, com cápsulas encontradas dentro e fora do corredor onde ocorreu a ação, espaço que, segundo o júri, tem cerca de 90 centímetros de largura.

O caso segue em julgamento no Tribunal do Júri, onde os jurados vão decidir se houve tentativa de homicídio e responsabilidade do acusado.

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