Capital

"Chega de covardia": mulheres vão às ruas no Centro contra o feminicídio

Neste domingo, mobilização nacional pela vida delas reúne manifestantes na Capital

Por Izabela Cavalcanti e Raíssa Rojas | 07/12/2025 11:20


RESUMO

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Campo Grande se uniu ao movimento nacional “Levante Mulheres Vivas”, neste domingo (07). A ação ocorre simultaneamente em diversas cidades do país para denunciar a escalada da violência contra a mulher.

Na Capital, a mobilização reuniu, pelo menos, 150 pessoas na Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho, onde mulheres, crianças, apoiadores e até alguns homens ocuparam o espaço com cartazes de encorajamento e indignação.

Entre as mensagens exibidas estavam frases como “Chega de covardia! Queremos uma lei contra a misoginia”, “Para homem violento, nada de tornozeleira, agressor de mulher tem que ir para a cadeia”, “MS sangra, MS grita, chega de mulher ter a vida interrompida” e “O feminicídio não escolhe somente feministas”.

A iniciativa é em razão da indignação coletiva após a repercussão de crimes registrados em diferentes estados, como o assassinato de Catarina Karsten, em Florianópolis; a morte das servidoras do Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) Maracanã, Allane Pedrotti e Layse Costa Pinheiro, no Rio de Janeiro.

"Chega de covardia": mulheres vão às ruas no Centro contra o feminicídio
Mulher segurando cartaz "MS sangra, MS grita, chega de mulher ter a vida interrompida (Foto: Raíssa Rojas)

A psicóloga Ladielly de Souza Silva, de 29 anos, integrante da Associação Elas Podem, afirma que a mobilização é resultado de uma união que ultrapassa ideologias políticas.

“A questão das mulheres é algo que extrapola partido. Todas nós precisamos estar juntas nessa luta. O nosso Estado é onde mais mulheres são mortas. A gente precisou se organizar nacionalmente para dizer um basta: chega de violência; nós queremos as mulheres vivas”, declarou.

Para ela, a luta também passa pela busca de implementação da Procuradoria Especial da Mulher na Assembleia Legislativa, proposta existente desde 2015, mas nunca colocada em prática.

Psicóloga Ladielly, uma das organizadoras do evento, dando entrevista ao Campo Grande News (Foto: Raíssa Rojas)

“Eu sou uma pessoa que a todo momento socorre mulheres. Fico emocionada em falar porque é exaustivo continuar todos os dias dizendo a mesma coisa e sentindo que não somos ouvidas”, desabafou.

A vereadora Luiza Ribeiro chamou a atenção para a ausência de políticas públicas estruturadas em Mato Grosso do Sul.

“Estamos numa situação muito grave. Por que isso acontece aqui? Porque não temos política pública permanente para a defesa da mulher. Apenas quatro estados não têm secretaria pública para as mulheres: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Rondônia”, afirmou.

Segundo Luiza, o Governo do Estado deveria aproveitar o momento para criar uma secretaria específica para mulheres, com orçamento robusto. “Nós não estamos passando por uma epidemia. Epidemia é uma circunstância. Nós estamos há muito tempo acumulando mortes por falta de política pública”, destacou.

A publicitária Valquiria Carneiro, de 62 anos, que mantém um perfil nas redes sociais voltado para mulheres 50+, reforçou a importância de romper o silêncio que ainda cerca a violência doméstica.

“Muitas mulheres se calam, têm vergonha. Eu digo: mulheres, não se calem, denunciem”, disse.

Valquiria gravando para as suas redes sociais sobre o movimento nacional (Foto: Raíssa Rojas)

Para ela, a presença masculina é fundamental e contribui para inibir comportamentos violentos. “Existem homens bons, e a presença deles aqui talvez deixe os de mau caráter um pouco apreensivos.”

A assistente social Rosana Caroline de Souza Monteiro, de 46 anos, também destacou a necessidade de punições mais rígidas e educação desde a infância.

“Acho que as mulheres têm que lutar por punições mais rígidas, que inibam pelo menos a prática do feminicídio e da violência. Desde pequena, a menina já tem que aprender, saber identificar e lutar pelos direitos das mulheres”, afirmou.

Ao lado dela, sua filha Manuela, de 9 anos, mostrou que a consciência sobre igualdade e direitos pode e deve começar cedo. “Eu acho importante o pessoal saber que mulher também é um ser humano e tem todos os direitos que quiser”, disse a menina.

Deputada federal Camila Jara discurando em meio das mulheres (Foto: Paulo Francis)

Dados - Somente neste ano, Mato Grosso do Sul já registrou 37 feminicídios. Dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) revelam ainda 1.819 casos de estupro, 75 tentativas de feminicídio e 18.508 registros de violência doméstica até 14 de novembro deste ano.

Dados do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) mostram que, somente em 2025, o Brasil ultrapassou mil vítimas de feminicídio, o que equivale a quatro mulheres assassinadas por dia.

Mulheres na Avenida Afonso Pena segurando cartazes contra o feminicídio (Foto: Raíssa Rojas)

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