Capital

Após mais de 20 anos, MP cobra regularização de lotes no Getúlia Barbosa

Moradores ainda aguardam títulos dos imóveis e penhoras antigas estão entre as pendências

Por Viviane Oliveira | 23/09/2026 08:50
Após mais de 20 anos, MP cobra regularização de lotes no Getúlia Barbosa
Ruas que integram a Vila Getúlia Barbosa, em Campo Grande (Foto: reprodução/MPMS)

Moradores da Vila Getúlia Barbosa, no Bairro Piratininga, região do Anhanduizinho, em Campo Grande, aguardam há mais de duas décadas pela regularização definitiva dos imóveis onde vivem. Diante da demora, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu procedimento administrativo para acompanhar as providências da prefeitura e tentar destravar a entrega dos títulos.

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A área fica nas proximidades da Avenida Presidente Ernesto Geisel, em um trecho delimitado também pelas ruas Sol Nascente, dos Andes e do Aquário. Mapas anexados ao procedimento mostram a ocupação e a divisão dos lotes da Vila Getúlia Barbosa.

A situação chegou ao Ministério Público após representação dos próprios moradores. Eles relataram que o loteamento foi implantado pelo Executivo há mais de 20 anos, mas a titularidade dos lotes nunca foi regularizada. A área também possui registros de penhora relacionados a débitos antigos, o que se tornou mais um obstáculo para concluir o processo.

A Prefeitura informou ao Ministério Público que ainda não há processo de regularização fundiária concluído para a área. Atualmente, tramita o processo administrativo para tratar do assunto. Na última movimentação, a comissão responsável aguardava informações sobre o processo de desapropriação para decidir os próximos passos.

O impasse começou bem antes. A área foi desapropriada judicialmente e o Município recebeu a posse provisória em 2002. Mesmo assim, mais de duas décadas depois, ainda não foram concluídas as providências necessárias para regularizar os registros e entregar os títulos aos moradores. 

Outro entrave são penhoras antigas registradas na matrícula nº 58.305. Inicialmente, elas apareciam em favor do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), mas estavam relacionadas à cobrança de contribuições previdenciárias. Com uma mudança na legislação, esses créditos passaram para a União e ficaram sob responsabilidade da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional).

Segundo o procedimento, os débitos que deram origem às penhoras não foram quitados e, por isso, os registros permanecem ativos. Apesar da pendência, a União informou estar disposta a colaborar para encontrar uma solução, considerando o interesse público e a intenção do Município de regularizar a área por meio da Reurb-S.

A Reurb-S é a modalidade de regularização fundiária voltada a núcleos urbanos informais ocupados predominantemente por famílias de baixa renda. O procedimento busca regularizar juridicamente a área e permitir a titulação dos ocupantes.

Agora, a 42ª Promotoria de Justiça vai acompanhar as medidas adotadas pela prefeitura para concluir a Reurb-S, resolver as pendências da matrícula e avançar na entrega dos títulos aos moradores.

A promotora Andréia Cristina Peres da Silva também determinou que a PGM (Procuradoria-Geral do Município), o INSS e a PGFN apresentem informações e documentos sobre o caso no prazo de dez dias úteis. A abertura do procedimento foi divulgada nesta quarta-feira (23) no Diário Oficial do MPMS.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber em que etapa está a regularização fundiária, quais pendências ainda precisam ser resolvidas e se há previsão para a entrega dos títulos aos moradores. Também questionou quantas famílias serão beneficiadas. Até a publicação desta matéria, não houve retorno

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