Capital

Após fim de contrato com hospital, Capital perde 55 leitos do SUS

Instituição privada recebeu repasses da Secretaria Estadual de Saúde para mantê-los até novembro

Por Cassia Modena e Sidney Assis | 03/12/2025 12:32
Após fim de contrato com hospital, Capital perde 55 leitos do SUS
Leitos do Hospital Adventista do Pênfigo que eram ocupados por pacientes do SUS (Foto: Divulgação/SES)

O contrato que o Hospital Adventista do Pênfigo tinha com a SES (Secretaria Estadual de Saúde) terminou no último domingo (30), deixando Campo Grande com 55 leitos a menos disponíveis para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde).

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Desse total, 15 eram leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 40 eram clínicos. A assessoria de imprensa da instituição afirmou hoje (3) que ofereceu as vagas à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) por meio de um novo contrato, mas que não recebeu resposta até agora. 

A proposta foi feita em setembro deste ano. Seriam 18 leitos de UTI e 35 leitos clínicos, 53 no total. "Até o momento não recebemos resposta oficial — apenas tratativas em reuniões", diz o Pênfigo.

À reportagem, a pasta municipal disse em nota que "permanece em tratativas constantes com os hospitais para ampliar a oferta de leitos clínicos e de terapia intensiva, garantindo o atendimento à população local". 

A Sesau já tem contrato vigente com Pênfigo para atendimento de casos de baixa e média complexidade em ortopedia. Ela não informou se pretende aceitar a oferta dos 53 leitos e nem se negocia com outros hospitais para repor as vagas perdidas.

Já a SES pontuou que, caso haja necessidade de novo convênio com o Hospital Adventista, "a solicitação deve ser formalizada pelo município de Campo Grande, responsável pela pactuação dos leitos junto ao hospital". Questionada, a pasta não justificou por que abriu mão da parceria com o hospital privado, apesar da possibilidade de renovação e da falta de leitos que a Capital enfrenta. 

"O convênio de leitos mantido com o Hospital do Pênfigo sempre teve caráter temporário, com data de início e data de término previamente estabelecidas, não se tratando de um serviço permanente da rede estadual de saúde", finalizou a SES.

Aditivado pela última vez em dezembro do ano passado, o contrato entre a Secretaria Estadual e o Pênfigo formalizou o repasse de R$ 25 milhões para o atendimento de pacientes da rede pública.

Falta de leitos - O número de leitos perdidos na rede pública de Campo Grande é muito inferior ao déficit enfrentado, que se reflete em longas esperas para a liberação de vagas e pedidos de vagas com urgência à Justiça. 

Segundo dados de abril deste ano, a Capital tinha 1.753 leitos para pacientes do SUS e mais 1.276 para pacientes da rede particular. Em entrevista dada à época em que os números foram consultados, a ex-secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, estimou que seriam necessários cerca de 500 leitos a mais para começar a reverter minimamente o problema. "Numa escala maior, seriam 1.000, considerando que os hospitais precisam ter uma retaguarda. Não podem ficar com 100% dos leitos ocupados", complementou.

A sobrecarga é crítica no primeiro semestre do ano, quando as doenças respiratórias pressionam o sistema de saúde, e também em feriados e fim de ano devido ao aumento do número de acidentes de trânsito. 

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