Capital

Aos 84 anos, Josina quer exercer a cidadania e vai votar com oxigênio ao lado

Ela utiliza o suporte respiratório há mais de 20 anos

Por Izabela Cavalcanti | 25/10/2026 14:13

A vontade de exercer a cidadania falou mais alto que as limitações de saúde da aposentada Josina Inácio de Souza, de 84 anos. Neste domingo (25), ela foi votar na Escola Estadual José Maria Hugo Rodrigues, no Bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande, com um equipamento de oxigênio ao lado. A partir dos 70 anos, o voto é facultativo, ou seja, o eleitor não é mais obrigado a votar.

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Ela utiliza o suporte respiratório há mais de 20 anos e, na última década, passou a depender dele 24 horas por dia.

Com 100% do pulmão comprometido, Josina precisou enfrentar um longo processo de recuperação para conseguir se locomover novamente e comparecer ao local de votação. A cena foi registrada em vídeo, que mostra a idosa exercendo seu direito ao voto mesmo diante das dificuldades.

Segundo a filha, Vanda Souza, de 53 anos, a mãe ficou impossibilitada de votar durante dois mandatos, devido ao agravamento de seu estado de saúde. A melhora recente permitiu que ela voltasse às urnas.

“Agora que está mais estabilizada conseguiu votar, ela não andava, foi feito muito exercício, muita fisioterapia para ela conseguir se locomover”, disse.

A decisão de votar também partiu da própria Josina. De acordo com Vanda, a mãe acompanha frequentemente a programação da televisão e demonstrou interesse em participar do processo eleitoral. Foi então que a família decidiu levá-la.

“Como ela assiste muita TV, estava vendo que tinha prova de vida, que era um meio de estar comprovando e ela quis votar, então, levamos. Ela falou que também é pela democracia”, destacou.

A ida às urnas teve um significado ainda mais especial porque a escola faz parte da história de Josina. Ela trabalhou no local por 20 anos e se aposentou como merendeira, construindo vínculos com pessoas que ainda se lembram dela.

Ao retornar ao local, a aposentada foi reconhecida por antigos conhecidos, que a chamaram pelo nome. Para a família, o reencontro tornou a experiência ainda mais encantador, especialmente porque, devido às limitações de saúde, a rotina da idosa se restringe principalmente ao quarto e à televisão.

“Ela ficou feliz, porque a escola que ela vota é a que ela trabalhou há muitos anos. Pessoas reconheceram e chamaram pelo nome, ela ficou maravilhada, porque o mundinho dela é a sala e a televisão”, contou.

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