Capital

Aos 76 anos, empresário fecha construtora após prejuízo de R$ 150 mil com furtos

Em Campo Grande desde 2018, Ruy Portella diz que insegurança tornou inviável manter casas vazias à venda

Por Gabi Cenciarelli | 23/04/2026 14:19


RESUMO

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Depois de quase uma década em Campo Grande, o empresário Ruy Portella, de 76 anos, afirma que decidiu encerrar a construtora após sucessivos furtos e atos de vandalismo em casas populares construídas por ele na Capital. Segundo o relato, o prejuízo acumulado e a sensação de abandono tornaram inviável seguir no ramo. 

Ruy conta que começou a construir a carreira no setor imobiliário em 2018, com foco em moradias populares. Ao longo da trajetória, diz ter gerado empregos e ajudado famílias a conquistar a casa própria. Entre os empreendimentos, ergueu 17 casas na Rua do Patrocínio, região entre os bairros Centro-Oeste, Jardim Marajoara e Jardim das Macaúbas, além de outras 5 unidades na Moreninha.

Segundo ele, nas casas da Moreninha nunca houve problemas. Já na Rua do Patrocínio, a situação se agravou nos últimos anos. Das 17 unidades construídas no local, 12 foram vendidas e as outras cinco que continuam vazias passaram a ser alvo frequente de invasões. 

Aos 76 anos, empresário fecha construtora após prejuízo de R$ 150 mil com furtos
Já aconteceu do empresário encontrar pertences dos ladrões nas casas (Foto: Direto das Ruas)

“Lá na Moreninha nunca ninguém invadiu, nunca roubaram nada. Na Rua do Patrocínio, levaram a fiação elétrica de todas elas”, afirmou. 

O empresário calcula já ter desembolsado cerca de R$ 150 mil para recuperar danos e repor materiais furtados. Agora, estima gastar mais R$ 15 mil apenas para reforçar a segurança das casas restantes.

Conforme o relato, os criminosos levam fios, torneiras e outros itens, além de danificar a estrutura dos imóveis. “Quebram tomadas, quadros de luz, cortam a cerca elétrica e arrebentam a concertina”, disse. Para evitar estragos maiores, algumas portas passaram a ser deixadas destrancadas. “Se trancar, eles quebram para entrar.” 

Símbolo do PCC escrito nas janelas (Foto: Direto das Ruas)

Imagens enviadas pelo empresário também mostram pichações no interior de uma das casas. Em uma das paredes aparece o número 1533, sequência popularmente associada à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os prejuízos vão além do furto. Telhas quebradas provocam infiltrações e obrigam novas reformas antes da venda. Em uma tentativa de reduzir perdas, Ruy começou a retirar itens de valor das residências. “Agora estão arrancando janelas. Daqui a pouco vão levar as portas.” 

Ele conta que chegou a registrar alguns boletins de ocorrência, mas desistiu de dar continuidade aos registros por falta de respostas. Ele também afirma que moradores vizinhos evitam reagir ou acionar a polícia por medo de represálias. Segundo o empresário, ele já apresentou imagens de suspeitos e registros anteriores, mas o problema continua. “Não vejo polícia na rua”, resumiu.

Telhado de uma das casas quebrado após invasão (Foto: Direto das Ruas)

Com problemas de saúde e cuidando da esposa, que enfrenta limitações há anos, Ruy diz que já não consegue acompanhar de perto a rotina dos imóveis. Após uma vida dedicada à construção civil, afirma que a decisão de fechar a empresa vem acompanhada de frustração.

“Depois de tantos anos trabalhando, estou parando por causa da insegurança”, concluiu.

Fechadura de unm dos imóveis após ser arrombada durante o dia (Foto: Direto das Ruas)


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