Aos 26 anos, Gabriel vira porto seguro dos 6 irmãos após perder a mãe
Com a casa cheia de rachaduras e goteiras, jovem busca ajuda para recomeçar com a família

Aos 26 anos, Gabriel Gomes começou a entender o tamanho das preocupações que a mãe carregava. Há uma semana, após a morte dela, passou a cuidar dos seis irmãos, de 3 a 18 anos, enquanto tenta lidar com o próprio luto. Sem emprego e vivendo de seguro-desemprego, agora busca ajuda para reformar a casa onde a família mora, no Bairro Los Angeles, em Campo Grande.
RESUMO
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Há uma semana, Gabriel Gomes, de 26 anos, assumiu a guarda dos seis irmãos, de 3 a 18 anos, após a morte da mãe, de 42 anos, vítima de depressão. Eles vivem em uma casa alugada no Bairro Los Angeles, em Campo Grande, com rachaduras, telhado furado e fiação exposta. A renda é o seguro-desemprego de Gabriel. Ele pede ajuda com mão de obra, materiais de construção e móveis pelo telefone (67) 98178-4434.
A construção de alvenaria tem paredes rachadas, telhado com aberturas que deixam a chuva entrar e fiação elétrica exposta. É nesse espaço que Gabriel tenta reorganizar a vida dos irmãos, entre contas atrasadas, reuniões com a assistência social e a preocupação de garantir condições dignas para as crianças e adolescentes.
Até agosto, Gabriel morava em outro endereço e trabalhava com carteira assinada, mas decidiu se afastar do emprego para dar mais atenção à mãe, de 42 anos, que enfrentava um quadro de depressão. A gravidade da situação pegou a família de surpresa, após ela tentar contra a própria vida. Após três tentativas e 16 dias internada, a mãe de oito filhos morreu na última sexta-feira (16).
“No domingo a gente fez o funeral, a gente conseguiu o funeral social, graças a Deus todo mundo me ajudou com informações, porque todo mundo ficava comovido pela quantidade de crianças”, relembra.
Ainda tentando lidar com a perda, Gabriel conta que a semana tem sido marcada pela correria para organizar a rotina da família. Antes de conversar com o Campo Grande News, nesta sexta-feira (23), por exemplo, ele participou de reuniões com o Conselho Tutelar e o Cras (Centro de Referência de Assistência Social), órgãos que acompanham a situação.
“Eu já cuidava deles desde pequenos, eu sempre levava eles para a escola, tanto que os professores já me conhecem. Mas tem sido um pouquinho difícil porque toda hora lembro da minha mãe. Agora que sou responsável por tudo descobri como ela tinha a cabeça cheia, tantas coisas para se preocupar. Ela pensava no aluguel, nos calçados, nas roupas, na alimentação…”, conta.
Foi após a morte da mãe que Gabriel descobriu que as contas da casa estavam atrasadas havia meses. Com a ajuda de pessoas da igreja, ele conseguiu quitar o aluguel. Já a energia elétrica quase foi cortada no dia do velório.
Para enfrentar a nova rotina e ajudar os irmãos a lidar com o luto, Gabriel também tem buscado apoio psicológico. “Tem horas que a gente para, pensa, sente e a gente fica triste. Os pequenos também, porque eles sentem, eles tinham a minha mãe 24h por dia e do nada ela fica ausente e tem horas que dá para ver que eles ficam tristes. Mas minhas tias têm acolhido bastante eles”, diz.
Atualmente, a única renda da família é o seguro-desemprego que Gabriel recebe há dois meses. Do valor, R$ 400 são destinados ao aluguel da casa, onde os irmãos vivem há sete anos.
O imóvel tem três quartos, sala, cozinha e banheiro. Parte dos irmãos divide dois dos quartos, enquanto Gabriel dorme no cômodo que era usado pela mãe. Os demais dormem na sala, em um sofá-cama e em um colchão no chão.
Apesar de ser de alvenaria, a casa apresenta grandes rachaduras nas paredes, que evidenciam a vulnerabilidade da construção. O telhado tem furos e vãos que permitem a entrada de água da chuva. A fiação elétrica também fica exposta, com emendas visíveis.
Embora reconheça que os irmãos precisam de doações de roupas e calçados, Gabriel afirma que a prioridade neste momento é reformar o imóvel. Como tem participado de reuniões com o Conselho Tutelar, ele se preocupa em garantir que a família tenha uma casa adequada durante as visitas dos conselheiros.
“Teve uma pessoa que disse que se dispôs a pintar a casa, mas tem outras coisas que precisam ser arrumadas. Peço ajuda com mão de obra, porque tem uma parte ali que está quase caindo a parede da casa. Eu falo assim, para dar o melhor para eles”, pede.
Até o momento, a família já recebeu doações de alimentos e alguns eletrodomésticos. A geladeira, cuja porta precisava ser mantida fechada com elásticos, foi substituída por outra em melhores condições. O fogão também será trocado após a família ganhar outro.
Quem puder ajudar Gabriel e os irmãos com móveis, materiais de construção ou mão de obra pode entrar em contato pelo telefone (67) 98178-4434.
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