Capital

Antes de gerente ir para delegacia, Valley ensinou a identificar bebida falsa

Foram apreendidas garrafas de vinho, espumantes e tequilas; alguns dos itens estavam vencidos

Por Clara Farias | 05/10/2025 08:38

Antes de ter uma gerente conduzida à delegacia por vender bebida sem origem comprovada, a Valley Pub publicou um vídeo ensinando como identificar produtos falsos. O caso aconteceu na noite deste sábado (4), durante operação que fiscalizou casas noturnas e tabacarias de Campo Grande, após casos suspeitos de intoxicação por metanol.

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No vídeo, publicado há um dia, outro gerente do estabelecimento conta que trabalha na casa noturna há 13 anos e atua na criação de drinques e na manipulação de bebidas. Ele aparece abrindo uma caixa de gin enquanto faz o tutorial. “Como identificar bebidas originais? [...] Vamos identificar uma garrafa de boa procedência”, diz.

O gerente então mostra a tampa do produto e explica: “Ela não tem nenhum vão aqui e esse selo que vem aqui, uma curiosidade que é legal que as pessoas saibam, é impresso pela Casa da Moeda”. Segundo ele, o selo é feito da mesma forma que o do real e possui uma parte que reflete à luz.

Ele também afirma que produtos falsificados não apresentam o mesmo padrão. “Até se você molhar, ele começa a soltar a tinta. É igual dinheiro: não solta a tinta quando molhado. Então já traz uma procedência boa para a bebida”, afirma, mostrando a garrafa.

"Para reforçar, mais uma vez, o compromisso da Valley com os nossos clientes, todas as garrafas que vão à mesa do consumidor levam o selo de autenticidade da Valley, comprovando que a bebida foi adquirida e é comercializada pela própria casa. Curta a noite com tranquilidade: a procedência da bebida é garantida por nós", finalizou o gerente.

Antes de gerente ir para delegacia, Valley ensinou a identificar bebida falsa
Polícia Científica em frente do estabelecimento (Foto: Juliano Almeida)
Bebidas apreendidas na casa noturna (Foto: Gabi Cenciarelli)

A operação foi conduzida pela DECON (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) e contou com apoio do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), da Vigilância Sanitária e da Guarda Civil Metropolitana.

O foco foi identificar estabelecimentos que comercializavam produtos de origem duvidosa ou sem comprovação de procedência, o que pode colocar em risco a saúde dos consumidores.

Durante a vistoria na Valley Pub, foram apreendidas garrafas de vinho de rótulos variados, entre eles Angélica Zapata, de origem argentina, e Les Vignes de L’Enfant Jésus, aparentemente francês. Também havia bebidas frisantes e espumantes rosé com tampas azul-claro, semelhantes às de marcas como Lambrusco Rosé.

Entre os destilados, os agentes encontraram tequilas José Cuervo Especial (Gold) e Azteca de Oro, além de um maço de essência Tangiers sabor Cane Mint, usada em narguilés. Algumas bebidas estavam vencidas, o que reforçou as suspeitas de irregularidades no armazenamento e na comercialização dos produtos.

Em nota, a Valley Pub esclareceu que o gerente do vídeo não foi conduzido à delegacia. "Reafirmamos nosso total apoio às ações da força-tarefa responsável pela fiscalização e pela garantia do consumo seguro de bebidas - prática que consideramos essencial para o bem-estar de nosos clientes e para integridade de todo o setor. O gerente do vídeo veiculado pela Valley em nenhum mometo foi conduzido a delegacia", diz o trecho da nota.

Casos de metanol - Foram registrados cinco casos suspeitos de intoxicação por metanol em Mato Grosso do Sul. Ao todo, o país soma 195 notificações, e 13 óbitos sob investigação, incluindo a morte do campo-grandense Matheus Santana Falcão, de 21 anos.

(*) Matéria editada às 15h12 para correção de informação e acréscimo de nota.

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