Capital

Adriane diz que tarifa só será revista após troca de 235 ônibus

Adriane Lopes ressaltou que Consórcio Guaicurus precisa trocar 235 ônibus da frota

Por Fernanda Palheta e Mylena Fraiha | 28/05/2026 12:13
Adriane diz que tarifa só será revista após troca de 235 ônibus
Prefeita Adriane Lopes (PP) durante lançamento da campanha Maio Amarelo no início do mês (Foto: Osmar Veiga)

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou que não há como discutir o aumento do valor da tarifa técnica do transporte coletivo sem o Consórcio Guaicurus cumprir os acordos e oferecer um transporte de qualidade. Durante a entrega de aparelhos auditivos, na manhã desta quinta-feira (28), a progressista apontou que 235 ônibus da frota precisam ser trocados.

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"Sem essa renovação, como avaliar se há defasagem no valor da tarifa ou algum desequilíbrio contratual? Isso precisa ser discutido tecnicamente. Como aumentar o valor da tarifa se a contrapartida da empresa, que é a prestação de serviço, não tem qualidade e não está cumprindo o que prevê o contrato? São 235 ônibus que precisam ser trocados, e isso não foi feito", disse. 

Segundo a prefeita, a proposta apresentada pelo Consórcio Guaicurus é trocar apenas 100 ônibus.

"É uma situação complexa, não é fácil de resolver, porque, ao longo dos anos, a empresa deixou de fazer investimentos. Isso levou ao cenário de litígio em que estamos hoje. Eu não posso deixar de cobrar aquilo que é meu papel como gestora da prefeitura no momento em que a empresa não cumpre a sua parte", completou Adriane.

A briga judicial pelo aumento da tarifa técnica se arrasta desde o ano passado. A tarifa técnica não é repassada ao usuário, que paga R$ 4,95 desde janeiro, mas representa uma diferença que os cofres municipais devem desembolsar para as empresas que integram o Consórcio Guaicurus para equilibrar as despesas apresentadas. 

No fim de 2025, a concessionária havia entrado na Justiça para obrigar a prefeitura a cumprir decisão de agosto daquele ano, que estipulava o reajuste pretendido. O Consórcio reivindica o reajuste de R$ 1,62. Com a mudança, o valor atual de R$ 6,17 passaria para R$ 7,79. O impacto financeiro da tarifa foi calculado em R$ 45 milhões. 

Segundo o consórcio, a decisão judicial reconheceu o direito ao reajuste anual da tarifa técnica, com data-base em outubro, mas o município não teria aplicado o valor indicado nos estudos regulatórios. A prefeitura contestou o cumprimento da decisão afirmando que não havia obrigação de implantar a tarifa de R$ 7,79. 

O município argumentou que a determinação judicial exigia apenas a comprovação de que houve reajuste da tarifa, o que teria sido feito por meio de atos administrativos, entre eles a Portaria nº 30/2025 da Agereg, que aplicou reajuste de 3,51% no sistema. Além disso, sustentou que não foi identificado déficit tarifário suficiente para justificar o aumento e que a revisão dependeria de análise técnica mais aprofundada.

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