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Abraço que evitou morte não encerrou drama: há 7 dias jovem vive amarrado em UPA

Rapaz que queria tirar a própria vida não tem vaga psiquiátrica para começar tratamento

Por Gabi Cenciarelli | 09/10/2025 13:33
Abraço que evitou morte não encerrou drama: há 7 dias jovem vive amarrado em UPA

O abraço que comoveu Campo Grande há uma semana, ao encerrar uma tentativa de suicídio, virou símbolo de um acolhimento que não continuou. O rapaz de 23 anos, salvo por uma policial militar na região do Tarumã, segue imobilizado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coophavila II, onde está internado há sete dias, à espera de uma vaga em hospital psiquiátrico.

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A cena mostrava o momento em que a policial convence o jovem a soltar a faca que mantinha contra o próprio pescoço e o acolhe em um abraço. O gesto emocionou e destacou o preparo da PM (Polícia Militar) para lidar com crises, mas, segundo a família, o cuidado do poder público parou ali.

“Ele está com as pernas e os braços todos amarrados. É triste. Meu cunhado tenta dar comida na boca dele, e a vaga não sai. A gente fala e eles só dizem que é preciso aguardar. Está muito difícil”, desabafa a tia, que pediu para não ser identificada.

Desde então, o rapaz permanece contido, em surto e sob supervisão médica. Familiares relatam que o estado emocional dele piora a cada dia e que o esgotamento tomou conta de todos. “Os pais estão exaustos, física e psicologicamente. Desde aquele vídeo, esta esperando vaga, e ja precisou ser contido. Agora tem dois dias que não pode nem tirar a contenção pra nada. A gente já não consegue mais trabalhar. É desesperador.”

A luta por atendimento, no entanto, não começou agora. Desde fevereiro, quando o jovem teve o primeiro surto durante o período em que servia ao Exército, a família enfrenta um sistema que oferece pouco ou nenhum suporte contínuo. “Ele era internado, voltava para casa, era internado de novo. A gente não tem condições de pagar psiquiatra, e nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) não há médico. O psiquiatra só atende quando ele surta. Vivemos em um ciclo que não acaba nunca.”

Mesmo com o apoio dos policiais que participaram do resgate, que continuam em contato com a família, a situação segue sem resposta. “Eles ligam, perguntam, tentam ajudar por outras vias, mas a vaga não sai. É um descaso total. Não sabemos mais a quem recorrer.”

A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande, que se posicionou dizendo que todos os atendimentos seguem critérios do SUS, conforme a urgência e a disponibilidade de recursos. A administração ressaltou ainda que, por causa da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), não vai fornecer informações sobre o caso do paciente em questão.

Procure ajuda — em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise por meio de atendimento telefônico pelo número 0800 750 5554. Vítimas de depressão e demais transtornos psicológicos podem buscar ajuda no Núcleo de Saúde Mental, no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida), 190 da PM e 193 dos Bombeiros, que ajudam pacientes a romper o silêncio.

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