Cidades

Selfies com araras viram infração ambiental na Serra da Bodoquena

Ibama aplica mais de R$ 60 mil em multas após flagrar contato direto de turistas com a fauna

Por José Cândido | 11/02/2026 11:15
Selfies com araras viram infração ambiental na Serra da Bodoquena
A interação e a divulgação de imagens com animais silvestres são proibidas pela legislação federal. (Foto divulgação)

Selfies, afagos e ração proibida — foi esse o roteiro interrompido por uma fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em um empreendimento turístico de Bodoquena, na região da Serra da Bodoquena, no último dia 10. A ação mirou um problema recorrente em áreas de ecoturismo: a interação direta de visitantes com animais silvestres, prática proibida por lei e que vinha sendo exibida sem pudor nas redes sociais.

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As denúncias apontavam contato próximo com araras-azuis, usadas como “cartão-postal” para fotos e vídeos. No local, os fiscais constataram que, apesar de a licença ambiental vedar expressamente qualquer manejo ou toque nos animais, os responsáveis permitiam a aproximação dos clientes e ainda ofereciam alimentação inadequada às aves — sementes de girassol, amendoim, banana e melancia. Na prática, segundo o Ibama, tratava-se de exploração comercial da imagem da fauna.

O impacto não se limitava às araras. A oferta de comida passou a atrair outros animais silvestres, como macacos, que se aproximavam da área turística e ficavam vulneráveis ao contato humano. “Domesticar” a vida livre, alerta o órgão, compromete o comportamento natural, a saúde e a sobrevivência das espécies.

Outro ponto observado foi o alto fluxo de visitantes. Em dias comuns, o empreendimento recebe de 60 a 80 pessoas; em feriados, o número chega a 200. Mesmo dentro da capacidade licenciada, a exposição constante a humanos eleva o estresse e prejudica o bem-estar animal, especialmente quando há estímulo ao contato.

As irregularidades renderam dois autos de infração, com multas que somam mais de R$ 60 mil. Os responsáveis ainda podem apresentar defesa administrativa ou optar por alternativas legais para encerrar o processo.

Alerta às vésperas do Carnaval

Com a proximidade do Carnaval, o Ibama reforçou o alerta sobre crimes ambientais. A interação e a divulgação de imagens com animais silvestres são proibidas pela legislação federal, e a fiscalização é competência comum de União, Estados e Municípios. Já o manejo de fauna em vida livre exige licença ambiental sob responsabilidade do Ibama.

Para ampliar a conscientização, o órgão lançou um vídeo educativo nas plataformas digitais contra o uso de partes de animais em fantasias e adereços — prática que ainda aparece em diferentes regiões do país. A orientação é clara: não interaja, não alimente, não toque. E, diante de irregularidades, denuncie. Preservar a fauna é condição básica para que o turismo continue existindo — e fazendo sentido.

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