Cidades

Segurança privada avança em MS, mas maioria atua com curso vencido

Com quase 36 mil vigilantes ativos, 78% estão com a formação desatualizada

Por Kamila Alcântara | 24/07/2025 17:26
Segurança privada avança em MS, mas maioria atua com curso vencido
Trabalhador de segurança particular usa rádio de comunicação (Foto: Reprodução)

Com a entrada em vigor da nova Lei da Segurança Privada, sancionada em setembro do ano passado, o setor começa a viver um novo ciclo em todo o país e os efeitos já aparecem também em Mato Grosso do Sul, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24). 

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O número de vínculos ativos no setor chegou ao maior patamar dos últimos cinco anos, mas a capacitação dos profissionais ainda é um gargalo: quase quatro em cada cinco vigilantes estão com cursos vencidos, sem poderem atuar do mercado.

Atualmente, 28.282 vigilantes estão com a formação vencida em Mato Grosso do Sul, fora do setor, enquanto 7.608 têm os cursos atualizados. O número preocupa, especialmente diante do crescimento do setor e das exigências trazidas pela nova legislação, que prevê punições mais duras para empresas e contratantes de serviços irregulares. Ainda segundo o anuário, existem apenas quatro escolas de formação de vigilantes ativas aqui.

Mesmo com as limitações na formação, os salários dos profissionais avançaram no período. A remuneração base para vigilância patrimonial, segurança pessoal e escolta armada passou de R$ 1.567,83 em 2022 para R$ 1.818,37 em 2025, um reajuste de 16%. Já no transporte de valores, onde o risco é maior, o piso chegou a R$ 2.539,82 este ano, que representa uma alta de 36% em três anos.

O presidente da Fenavist (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores), Jeferson Nazário, destaca que o Estatuto da Segurança Privada é um divisor de águas no setor, especialmente ao criminalizar a atuação de empresas clandestinas. “A nova lei traz instrumentos eficazes para o combate à informalidade e garante mais segurança jurídica às empresas regulares”, afirma.

Ainda assim, o número de empresas ativas no Estado caiu em 2025. O total de firmas de transporte de valores caiu pela metade, de oito para quatro. A escolta armada também encolheu, de 13 para nove empresas. Apenas a vigilância patrimonial manteve relativa estabilidade, com 45 empresas ativas este ano.

Outro dado que chama a atenção é a queda no número de armas adquiridas por empresas do Centro-Oeste. As compras de armamento letal despencaram de 919 em 2022 para 676 em 2023, com leve recuperação em 2024 (903). Já as aquisições de armas não letais desabaram: foram apenas 61 em 2023, ante 480 no ano anterior.

Nacionalmente, o setor emprega hoje mais de 571 mil vigilantes, segundo a Polícia Federal, com crescimento de 10% nos primeiros cinco meses deste ano. A maioria tem entre 40 e 49 anos, e 84% possuem ao menos o ensino médio. Mesmo com a alta na ocupação, estima-se que 200 mil profissionais com cursos válidos ainda estejam fora do mercado.

O novo estatuto ainda aguarda regulamentação por decreto presidencial. Enquanto isso, o setor pressiona o governo pela publicação do texto que detalhará a atuação de empresas e profissionais. O temor é que, sem regras claras, parte dos avanços legais não possa ser efetivamente aplicada.

Jeferson Nazário acredita que o momento é de virada. “Com uma lei moderna e justa, temos agora a oportunidade real de reposicionar o setor como uma engrenagem essencial para o bem-estar da sociedade”, afirma. Mas reforça: para isso, é preciso investir em capacitação e deixar a clandestinidade para trás.

Outro lado – Ao Campo Grande News, o major Arquimedes Gonzaga Gonçalves, secretário do Sindicato das Empresas de Segurança Privada de MS, explicou que os 28.282 vigilantes com a formação vencida não estão em atuação no mercado.

"As empresas são rigidamente fiscalizadas, e os trabalhadores passam por curso de reciclagem a cada dois anos. Quem não faz esse curso não pode atuar. Nosso mercado, na verdade, tem mais pessoas com o curso atualizado do que vagas disponíveis", esclareceu.

Ele também reforçou que as escolas de formação são fiscalizadas e precisam estar regularizadas para oferecer os cursos. Todo o processo é monitorado pela Polícia Federal.

*Matéria editada às 15h48 para acréscimo de informações.

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