Cidades

Mato Grosso do Sul integra bloco de concentração de imigrantes, aponta estudo

Relatório aponta que atendimento recai sobre cidades, que concentram acesso à saúde, educação e assistência

Por Kamila Alcântara | 30/04/2026 16:36
Mato Grosso do Sul integra bloco de concentração de imigrantes, aponta estudo
Posto de fiscalização e controle migratório na fronteira, no município de Corumbá (Foto: Arquivo Campo Grande News)

Mato Grosso do Sul aparece no mapa da migração internacional no Brasil, mas longe dos grandes centros que concentram a maioria dos estrangeiros. Dados do Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais mostram que o Estado integra a rota de entrada e redistribuição de migrantes, principalmente haitianos.

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> Estudo também foi usado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que aponta o Estado como pontos estratégicos nas rotas internacionais de contrabando envolvendo essa população.

O Brasil abriga hoje pouco mais de 2 milhões de imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio, espalhados por todas as unidades da federação. Venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos formam os principais grupos.

No caso de Mato Grosso do Sul, o destaque não está no volume, mas na posição estratégica. A cidade de Corumbá aparece como uma das portas de entrada por via terrestre, usada por haitianos em diferentes períodos.

Além disso, o Estado integra o chamado “terceiro bloco” de concentração dessa população, junto com Mato Grosso e Minas Gerais. Isso significa presença relevante, mas bem abaixo de estados como São Paulo, Paraná e Roraima.

Migrantes entram por estados do Norte ou Sudeste e acabam se espalhando pelo país, incluindo o Centro-Oeste. Mato Grosso do Sul entra justamente nessa etapa de interiorização.

O próprio relatório aponta, ainda, que a integração dos migrantes acontece nos municípios, responsáveis por serviços como saúde, educação e assistência social. Outro ponto importante é o perfil desses migrantes. Entre haitianos, cresce a presença de mulheres, crianças e idosos, o que aumenta a demanda por políticas públicas específicas.

Enquanto Mato Grosso do Sul aparece como rota secundária, o grosso da migração segue concentrado em poucos estados. Em 2024, São Paulo liderou com mais de 140 mil migrantes cadastrados em programas sociais, seguido por Paraná e Roraima.

No mercado de trabalho, o número de imigrantes com carteira assinada passou de 414 mil em 2025, com alta de 54% em dois anos. Venezuelanos lideram, seguidos por haitianos e cubanos.

Apesar do crescimento, o relatório faz um alerta: muitos estrangeiros qualificados acabam em empregos de baixa renda, o que indica falhas na integração.

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