Cidades

Do corte à costura, trabalho silencioso tem até tapeceiros da Santa Casa

Para quem trabalha, lugar é reduto de paz em um lugar carregado pelo peso da responsabilidade com a cura

Por Inara Silva | 27/06/2025 11:38
Do corte à costura, trabalho silencioso tem até tapeceiros da Santa Casa
Miguel de Carvalho Batista trabalha na tapeçaria há 29 anos. (Foto: Santa Casa)

Quando Miguel de Carvalho Batista, de 75 anos, fala que é tapeceiro, ninguém imagina que ele trabalha em um hospital. E já são 29 anos dedicados à tapeçaria dentro da maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul. 

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Bem humorado, Miguel brinca:  “Sou quase dono da Santa Casa”. 

Miguel se orgulha do ofício e, neste período, já perdeu a conta de quantos profissionais ensinou a arte de consertar poltronas, colchões, cadeiras e estofados em geral. 

“O pessoal admira quando eu falo que sou tapeceiro no hospital!”. 

Aposentado há 20 anos, Miguel não deixa o trabalho. A tapeçaria começou em sua vida, em 1962, como necessidade, mas se tornou um prazer. Ele trabalha junto com outros três colaboradores que cuidam da manutenção de diversos equipamentos, entre eles, 700 poltronas de acompanhantes de pacientes, que estão distribuídas nos seis andares do prédio, e nas unidades do Trauma, Banco de Sangue, Hemodiálise e Oncologia.

Ofício terapêutico

Ademir Vanderlei Binelli corta corvin para consertar cadeira. (Foto: Paulo Francis)

Tapeceiro há dois anos, Ademir Vanderlei Binelli aprendeu o ofício com o senhor Miguel. Educador físico de formação, Binelli abandonou a  educação infantil e, desde então,  trabalha na Santa Casa. Fez a transição de carreira e entrou para atuar na manutenção do hospital, hoje tornou-se tapeceiro. 

“Aqui é uma paz, é super terapêutico. Aqui é o melhor local da Santa Casa”, diz Binelli ao confessar que se apaixonou pelo trabalho artesanal e não pensa em voltar para a educação. O ofício é silencioso e detalhado, desde o corte do material até a costura.

Na oficina, tudo é feito a mão e nos mínimos detalhes. Joventino Godoy Ferreira também aprendeu a função no setor, com aulas do senhor Miguel. “É um trabalho feito com cuidado, com amor. Quero levar essa profissão adiante”, comemora.

Oficinas

Joventino Godoy Ferreira realiza o conserto da ferragem da cadeira.

Além da tapeçaria, dentro da Santa Casa de Campo Grande há ainda outras três oficinas: marcenaria, pintura e serralheria. Alberto Nascimento de Araújo é o supervisor das oficinas e explica que os quatro setores trabalham de forma complementar. Uma mesma cadeira pode receber a manutenção da estrutura metálica, receber pintura, a troca do braço de madeira e, por fim, o estofado de corvin, que é costurado pelo tapeceiro Ademir Vanderlei Binelli. 

Supervisor das oficinas, Alberto Nascimento de Araújo faz a gestão de quatro oficinas (Foto: Paulo Francis)

Economia e produção

O supervisor das oficinas Alberto Nascimento de Araújo  afirma que ter a oficina própria contribui para a economia. Diariamente, na tapeçaria são reformadas e substituídas em média de duas a três poltronas, conforme a demanda. Somente com o conserto das cadeiras, a unidade economiza R$800,00, uma vez que em oficina externa o valor do conserto está em R$1,2 mil e dentro do hospital o custo médio fica em R$400,00 por cadeira.

Mensalmente, o setor de tapeçaria atende 74 ordens de serviço entre manutenção de cadeiras de rodas e cadeiras de banho, reforma de poltronas de acompanhantes, sofás, cadeiras de escritório, longarinas - que são as cadeiras de recepção, fabricação de colchões para camas e macas e manutenção de cortinas divisórias para leitos. 

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