Cidades

Conselheiros do TCE completam 2 anos afastados e ação segue em sigilo absoluto

Waldir, Ronaldo e Iran tentam na Justiça retornar a seus cargos, o que tem sido negado reiteradamente

Por Lucia Morel | 08/12/2024 08:44
Conselheiros do TCE completam 2 anos afastados e ação segue em sigilo absoluto
Waldir Neves, Ronaldo Chadid e Iran Coelho das Neves foram afastados desde dezembro de 2022 (Foto/Arquivo)

Dois anos depois de operação que escancarou suposto esquema de corrupção do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, três conselheiros continuam afastados de suas funções e o processo sobre o caso segue em sigilo absoluto. De lá para cá, os alvos tentam na Justiça retornar a seus cargos, o que tem sido negado reiteradamente.

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Uma das últimas ações divulgadas foi a do conselheiro afastado Waldir Neves, que recorreu a laudo psiquiátrico alegando “extremo abalo” e “estado de depressão e ansiedade gravíssimos” diante de seu afastamento por tão longo tempo.

No pedido de revogação das cautelares, o advogado Ewerton Bellinati relata que não há mais motivos para manutenção das sanções e que o investigado nunca foi ouvido no inquérito, não tendo chance do “contraditório e ampla defesa”. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) ainda não julgou o pedido.

Procurado para comentar sobre os dois anos do caso e afastamento de seu cliente, Bellinati diz que “o processo é complexo e ainda estamos aguardando uma decisão do STJ, prefiro neste momento não comentar e aguardar a decisão”.

Na defesa do conselheiro Iran Coelho das Neves, o advogado André Borges fez algumas declarações defendendo seu cliente. “Iran Coelho das Neves é reconhecidamente um técnico e homem do bem. Está envolvido nesse processo por quase nada, injustamente; pediu recentemente e logo terá o caso julgado pelo STJ; oportunidade em que será resgatada sua honra, porque a verdade prevalecerá, disso não duvida a defesa”, ressaltou.

O defensor também sustentou que Coelho “tem se mantido equilibrado e forte, o que me surpreende em razão da idade e saúde dele”, reforçando que “amigos e familiares também são importantes: estão sempre próximos, ajudando e transmitindo confiança de que tudo se resolverá”. 

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do terceiro conselheiro afastado, Ronaldo Chadid.

Apesar do afastamento completar dois anos, as investigações começaram antes e a primeira suspeita de corrupção foi durante a Operação Mineração de Ouro, em 8 de junho de 2021. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu mandados contra os conselheiros Waldir Neves, Osmar Jeronymo e Ronaldo Chadid e foram apurados esquema de contratação de funcionários fantasmas na Corte Fiscal e desvio de verbas públicas.

A terceira fase foi realizada em 10 de julho deste ano, com apuração sobre esquema com imóvel de alto valor, cinco empresas e três compradores: o registrado no cartório, o do contrato de gaveta e o dono real, um servidor público. Pelas investigações, foi verificada a contratação indevida de empresa por meio de licitações fraudulentas, utilizando-se de conluio prévio entre empresas participantes de certames e agentes públicos.

Com base na análise do material apreendido nas operações Lama Asfáltica e Mineração de Ouro, a força-tarefa identificou que foram criados diversos mecanismos de blindagem para dissimular a destinação dos recursos debitados nas contas da empresa contratada antes de chegarem às contas do destinatário final. 

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