Cidades

Com escritório em MS, advogado é citado em investigação da operação Sem Desconto

Nelson Wilians pagou e recebeu dinheiro do empresário Maurício Camisotti, suposto líder do esquema fraudulento

Por Lucia Morel | 29/05/2025 17:07
Com escritório em MS, advogado é citado em investigação da operação Sem Desconto
O advogado Nelson Wilians é citado - mas não investigado - na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. (Foto: Divulgação)

Com escritórios em Mato Grosso do Sul e mais sete Estados, o advogado Nelson Wilians é citado - mas não investigado - na investigação da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Ele teria recebido e também repassado valores ao empresário Maurício Camisotti, apontado na investigação como um dos principais articuladores do esquema fraudulento.

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Os valores movimentados, conforme divulgados pelo site Metrópoles, foram R$ 884 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024, período que compreende o auge da farra dos descontos indevidos contra aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

Desse montante, R$ 449 milhões foram de crédito em duas contas do escritório do advogado. Outros R$ 435 milhões foram de débito. Todos os escritórios de Nelson Wilians movimentou, ao todo, R$ 4,3 bilhões em operações financeiras consideradas suspeitas, entre 2019 e 2024, segundo dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Relatório do Coaf já havia revelado pagamentos no valor de R$ 15,5 milhões feitos por Nelson Wilians a Camisotti, que é investigado como possível “beneficiário final” da farra dos descontos sobre aposentadoria. 

O advogado Nelson Wilians chegou a procurou a Polícia Federal após a operação, conforme o site nacional. Ele se antecipou, querendo explicar as transações milionárias que fez com o empresário.

Em nota, a assessoria de imprensa do advogado informou que houve vazamento indevido e que os valores mencionados “são plenamente compatíveis com a estrutura e a atuação do escritório”. Disse ainda que o escritório não é alvo da investigação e que “não foi notificado por qualquer autoridade a respeito”. 

Em comunicado interno, aos funcionários, a empresa enfatizou que constar o nome em relatório do Coaf “não implica crime” e que é uma atuação comum quando há movimentações financeiras atípicas, mas que não configuram ilegalidade. Também reforçou que a relação com Camasotti se limita à prestação de serviços jurídicos e que a imprensa distorceu os fatos. 

A reportagem falou com o escritório em Campo Grande que respondeu que “Nelson Wilians é um advogado com atuação reconhecida nacional e internacionalmente, e tem pautado toda a sua trajetória na legalidade, na ética e no compromisso com a Justiça”, afirma o comunicado. 

A banca jurídica também afirma que atua “exclusivamente dentro dos limites legais”, com transparência, sob fiscalização dos órgãos competentes, e que representa “interesses legítimos de seus clientes”. 

Por fim, cita que há “distorções” e “ilações infundadas” nas informações e sinaliza que medidas legais estão sendo avaliadas para assegurar o direito de resposta e apurar eventual responsabilização civil e criminal dos autores das publicações. 

Matéria atualizada às 15h43 de 30 de maio de 2025.

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