Cidades

Anuário de Segurança aponta redução na localização de desaparecidos em MS

Estado mantém uma das menores taxas de desaparecimento do País, mas solução de casos caiu

Por Guilherme Correia | 25/07/2025 09:35
Anuário de Segurança aponta redução na localização de desaparecidos em MS
Foram registrados 340 desaparecimento, em 2024, em Mato Grosso do Sul. (Foto: Divulgação/Sejusp)

Mato Grosso do Sul continua entre os estados com menor taxa de desaparecimentos no Brasil, mas registrou queda na quantidade de pessoas localizadas em 2024. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o número de pessoas encontradas caiu de 1.694 para 1.594 — redução de quase 6% em relação ao ano anterior.

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O total de desaparecimentos no Estado se manteve praticamente estável: foram 340 registros em 2024, contra 332 em 2023. A taxa sul-mato-grossense é de 11,7 desaparecimentos por 100 mil habitantes, bem abaixo da média nacional, que chegou a 38,5.

Ainda assim, especialistas alertam para o chamado risco de "naturalização" do desaparecimento, especialmente quando não há retorno das vítimas ou solução dos casos.

No Brasil, os desaparecimentos voltaram a crescer após recuo nos anos da pandemia. Em 2024, o País registrou 81.873 notificações de pessoas desaparecidas, aumento de 4,9% em relação ao ano anterior, maior número desde 2018. Em média, quatro pessoas desapareceram por hora no País no último ano.

A queda no número de localizados em MS contrasta com a realidade de outros estados. São Paulo, por exemplo, registrou 19.549 desaparecimentos em 2024, com 17.641 pessoas localizadas. Já o Rio Grande do Sul apresentou o segundo maior número de desaparecimentos (8.156), mas com alto índice de solução: 8.039 localizações.

Os estados que mais aumentaram proporcionalmente os desaparecimentos foram Amapá (+27%), Sergipe (+19,9%) e Bahia (+14,8%).

Essas mesmas regiões apresentaram queda nas mortes violentas intencionais, o que levanta uma preocupação, conforme o relatório, já que parte dessas mortes pode estar sendo ocultada por organizações criminosas por meio da prática de desaparecimento forçado e descarte de corpos, muitas vezes em cemitérios clandestinos.

O Anuário destaca que há um histórico desse tipo de prática no Brasil desde a ditadura militar. A chamada “vala de Perus”, em São Paulo, revelou mais de mil sacos com ossadas de vítimas da repressão. Hoje, embora em contexto diferente, o desaparecimento ainda é usado por facções e milícias para eliminar rivais sem deixar rastros — se não há corpo, não há crime.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre julho de 2023 e junho de 2024, 8% da população brasileira com mais de 16 anos afirmou conhecer cemitérios clandestinos na cidade onde vive. Entre moradores de capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes, esse número sobe para 17%.

Além disso, o perfil das pessoas desaparecidas se repete ao longo dos anos: homens (62,8%), jovens entre 12 e 29 anos (53,5%) e pessoas negras (54,3%), com desaparecimentos mais frequentes entre sextas e domingos — o mesmo perfil das vítimas de homicídio no País.

A legislação brasileira ainda é considerada frágil para lidar com o problema. A tipificação jurídica do desaparecimento só foi estabelecida em 2019, com a Lei nº 13.812. No entanto, ainda não há uma legislação que tipifique o desaparecimento forçado como crime.

O PL (Projeto de Lei) 6.240/2013, que propõe essa tipificação e a inclusão do desaparecimento forçado como crime hediondo, está parado no Congresso há mais de uma década.

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